Jovem de Schroeder conquista 1º lugar em exposição científica nacional
21/06/2019 13:05 em Geral

O jovem Gustavo Kloch Neideck, de 17 anos, de Schroeder, que cursa o 3º ano do curso técnico em Agropecuária integrado ao ensino médio no Instituto Federal Catarinense (IFC) - Campus Rio do Sul, conquistou recentemente o 1º lugar em uma exposição científica nacional. 

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O estudante representou o IFC na última edição da Exposição Nacional do Movimento Internacional para o Recreio Científico e Técnico (MILSET), realizada no fim de maio em Fortaleza (CE). A feira reuniu trabalhos de estudantes de cinco regiões do país – e também de cinco países convidados.

O trabalho apresentado por ele no evento, “TaipaEstock – Armazenamento de Grãos Utilizando Taipa de Mão”, foi premiado com o primeiro lugar na categoria Ciências Agrárias – vitória que credenciou Gustavo a participar da Exposição MILSET América Latina, marcada para 2020, em La Pampa, na Argentina.

Construção de espaços de armazenagem de grãos

O projeto do estudante apresenta uma alternativa mais barata e eficiente para a construção de espaços de armazenagem de grãos. 

“A ideia é ajudar os agricultores no período pós-safra, em que a demanda de produtos agrícolas está muito alta – o que consequentemente faz com que os preços diminuam significativamente” explica Gustavo. 

“Para resolver esse problema, desenvolvemos um galpão construído no sistema taipa de mão, mais conhecido no Brasil como pau-a-pique (técnica em que a armação das paredes é feita com madeira ou bambu e depois preenchida com barro e fibras vegetais, como capim ou palha). Além de barato e ecológico, o galpão tem poder de absorção de umidade em suas paredes, o que faz com que ele se torne muito eficiente para o armazenamento de grãos”.

Etapas da construção do protótipo de galpão do projeto TaipaEstock

Eficiência do projeto

Para demonstrar a eficiência do projeto, o jovem pesquisador construiu um protótipo de depósito em taipa e outro em aço para comparação de dados de armazenamento de grãos, buscando reproduzir o armazenamento em silos tradicionais. Em seguida, colocou em cada protótipo três lâminas com fungos inoculados em uma quantidade de arroz. 

Percebeu-se então que o arroz que foi colocado no protótipo de taipa permaneceu mais seco e os fungos se desenvolveram menos que no protótipo de aço. 

“Isso se deve ao fato de que o barro mantém a temperatura do espaço mais estável e a umidade em níveis adequados ao armazenamento”, conta a professora do IFC e orientadora do projeto, Karla Fünfgelt.

Gustavo e sua orientadora, professora Karla Fünfgelt, na MILSET 2019

As informações coletados pela pesquisa apontam vantagens significativas. O tipo de galpão proposto pelo TaipaEstock pode ser executado facilmente por pequenos agricultores, uma vez que não exige mão-de-obra especializada. 

Também pode ser feito com material encontrado localmente e apresenta custo de execução bem menor do que a compra de um depósito tradicional.

Iniciação Científica e aprendizado 

O projeto nasceu em 2017, ano em que Gustavo ingressou no curso. “Ele me procurou para ser orientadora de seu projeto de Iniciação Científica, que aqui no campus é disciplina integrante da grade curricular dos alunos”, explica a professora Karla. 

“No início, ele ainda não tinha uma ideia formada sobre o projeto; então, eu trouxe algumas ideias dentro da área de bioconstruções. A partir daí, ele decidiu pela construção de um depósito de sementes utilizando a técnica da taipa de mão e começou a desenvolver o projeto”.

Mostratec - maior feira de ciências da América Latina - em Novo Hamburgo (RS)

O trabalho de Gustavo logo começou a render bons resultados. Já no ano seguinte, ele apresentou o projeto na Feira do Conhecimento Científico e Tecnológico do IFC, a Fetec; em seguida, foi indicado para participar da Mostra Internacional Científica e Tecnológica, a Mostratec, em Novo Hamburgo – RS e na Experiência Beta, da organização Ciência Beta. 

Delegação de SC no Experiência Beta em 2018

Após essas experiências, o estudante decidiu se inscrever em outras feiras e teve o trabalho classificado para participar na MILSET. O TaipaEstock foi selecionado ainda para participar do programa de mentoria científica Decola Beta, também organizado pela Ciência Beta.

 "Sou mentorado do Cientista Beta, que recrutou 16 projetos de todo o Brasil para receber mentorias sobre o projeto. Para participar da feira em que fui premiado fiz uma vakinha pela internet, pois não teria condições de arcar com todas as despesas. Com a ajuda de familiares e algumas doações consegui a quantia exata para pagar a inscrição que era R$ 1000 reais (com hotel e alimentação) e as passagens aéreas". 

Credenciado para a Feira Brasileira de Iniciação Científica

O trabalho de Gustavo também foi credenciado para a IV FEBIC (Feira Brasileira de Iniciação Científica), que acontecerá entre os dias 9 e 10 de setembro de 2019, em Jaraguá do Sul. A carta de aceite foi recebida ontem pelo jovem.

“Realizar um projeto científico no Ensino Médio foi uma das melhores coisas que o IFC me proporcionou”, ressalta Gustavo. 

“A aprendizagem que tive e as amizades que criei nas feiras são coisas que vou levar para a vida toda. O projeto também me estimulou a ser mais curioso e independente. Pretendo continuar a melhor o TaipaEstock, realizando novas análises e coletando mais dados – e também participar de mais feiras científicas, caso eu seja selecionado”.

Para participar da Exposição MILSET América Latina, em 2020, na Argentina, Gustavo pretende fazer uma vakinha perto da data. "A inscrição da feira na Argentina é, em média, R$ 1500 reais (com hotel e alimentação), fora isso tem as passagens até que ficam em média de R$ 1700", conta.

Apoio da família

Gustavo mora com a mãe, Inês Kloch, e os dois irmãos no bairro Centro-Norte de Schroeder.

O jovem foi aluno da escola municipal Emílio da Silva (até o quinto ano) e da escola estadual Miguel Couto (do sexto ao nono ano). O interesse pelo curso técnico em agropecuária veio através da escola.  "A minha primeira feira de ciências foi no Miguel", recorda.

Gustavo com a mãe e os dois irmãos

O irmão de Gustavo é agrimensor e também estudou em instituição federal. A irmã é formada em engenharia química. Já mãe do adolescente é professora há 25 anos e leciona matemática na escola estadual Miguel Couto. "Minha mãe me apoiou muito para não desistir do projeto", conta Gustavo. 

Gustavo fica boa parte da semana no alojamento em Rio do Sul e o restante do tempo com a família. "Eu moro em um alojamento que meu colega oferece. Estão eu durmo dentro da escola durante a semana. Estudo de manhã e à tarde, e nos finais de semana vou para Schroeder", explica.

O pai de Gustavo é agricultor e mora em Rio do Campo, na microrregião de Rio do Sul. Foi com o pai que Gustavo viu que os agricultores vendem os grãos por um preço baixo no período pós-safra.

Gustavo ainda não sabe que graduação vai cursar quando terminar o ensino médio neste ano, mas está entre duas opções: direito ou engenharia de materiais.

Confira a entrevista da Schroeder FM com o Gustavo que foi veiculada no Jornal da 87,5 na manhã desta sexta-feira:

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